A chegada de um bebê exige algumas transformações no espaço da casa, e o quarto do bebê é um ambiente que deve ser pensado com cautela para garantir o conforto e a segurança da família.

 

Em um dos momentos mais importantes da vida, a chegada de um novo membro da família, é importante que se tenha cuidado com cada detalhe. O quarto será o ambiente onde o bebê passará a maior parte de seus primeiros meses de vida e, por isso, deve ser planejado de forma a oferecer ao bebê e à família todo o conforto e a segurança que precisam.

Não importa se o quarto será idealizado exclusivamente para esse fim ou uma readaptação de algum outro ambiente da casa, existem alguns fatores que devem ser considerados para tornar o espaço funcional e evitar que as atividades do bebê e da família sejam prejudicadas.

Além de garantir a funcionalidade para as tarefas diárias, o quartinho do bebê possui, ainda, a importante função de manter a tranquilidade e o equilíbrio da mãe e do filho nos primeiros meses de vida. Por isso, a escolha da paleta de cores é uma etapa fundamental no planejamento do ambiente.

Cores fortes devem ser utilizadas com cautela, pois são estimulantes e podem contribuir para a agitação e ansiedade do bebê. Além disso, os primeiros meses de maternidade podem ser estressantes para os pais, que devem encontrar no ambiente uma sensação de tranquilidade e relaxamento.

“O ideal é a escolha de uma paleta de tons claros ou pastéis, com a utilização de cores mais fortes em apenas alguns pontos da decoração do ambiente para quebrar a monotonia”, alerta a arquiteta Vanessa Spina.  “Dessa forma, é possível criar um ambiente que reflita a personalidade da família sem deixar de contribuir para o bem-estar dos pais e do bebê”, conclui.

Nesse sentido, a iluminação do quarto também deve ser planejada para garantir um ambiência mais tranquila. “Fontes de iluminação indireta são bem-vindas, principalmente porque, muitas vezes, os pais precisam utilizar o quarto enquanto o bebê está dormindo. Lâmpadas com controle de luminosidade, com a utilização de um dimmer, por exemplo, também são uma boa solução”, explica Vanessa.

“No entanto, é importante lembrar que algumas atividades exigem uma boa iluminação, como a troca do bebê, por exemplo. Para isso, é necessário que a iluminação principal do quarto seja suficiente para a realização dessas tarefas. A utilização de luminárias de foco ou pendentes deve ser evitada, pois podem ofuscar a visão do bebê”.

O tema da decoração do quarto também é algo que deve ser bem pensado, considerando que, na maioria das vezes, o ambiente será utilizado pela criança por um tempo considerável. É importante garantir que, com o passar dos anos, a decoração não se torne enjoativa ou obsoleta. “Aconselhamos a escolha de um tema atemporal, ao invés de investir em personagens que estejam em alta na época do nascimento, por exemplo.

Muitas vezes, o ambiente nem precisa ter um tema definido, e sim uma decoração que contemple a individualidade da família em questão e que seja adequada para o desenvolvimento da criança. Com o tempo, a decoração pode ser complementada com mais cores e elementos, à medida que a criança desenvolva a necessidade de mais estímulos”,  sugere a arquiteta.

Na hora de definir o layout e os mobiliários, é importante que haja uma análise da rotina da família, de forma a facilitar as atividades propostas para o espaço. As peças básicas para o quarto do bebê são o berço, o trocador, o guarda-roupas e a poltrona para amamentação, embora o espaço possa abrigar mais elementos de acordo com o tamanho ou a necessidade. “É necessária uma atenção especial à dimensão das peças, para garantir que não fiquem desproporcionais ao tamanho do quarto.

Além disso, existem medidas padrão que garantem a ergonomia ideal para a realização das atividades. O trocador, por exemplo, deve ter altura entre 80cm e 90cm para garantir o conforto do usuário. Além disso, deve-se considerar não somente o espaço necessário para a troca da criança, mas também a estocagem de todos os utensílios necessários para a atividade, em fácil alcance.

O berço também deve ter uma altura que permita o alcance dos pais, sem prejudicar a segurança do bebê. Para isso, é recomendado um berço com regulagem da altura do colchão. A poltrona de amamentação deve ser confortável, bem posicionada e se adaptar à postura da mãe, podendo ser acompanhada de um pufe para os pés e um apoio lateral, que facilitará a atividade de amamentação”, indica a arquiteta.

Para a escolha dos armários, deve-se considerar que as roupas do bebê são pequenas e podem ser guardadas em gavetas, podendo o guarda-roupa ser substituído por uma cômoda. No entanto, além das roupas, existem outros elementos que devem ser guardados no quarto e exigem espaço de estocagem, como fraldas, por exemplo.

“O ideal é que seja feito um levantamento da necessidade de estocagem do ambiente, para que o espaço dos armários seja suficiente. Além disso, deve ser feita uma análise da utilização de cada utensílio ou equipamento na hora de decidir o que deve ser guardado em locais de fácil acesso e o que pode ser mantido em locais mais altos ou menos acessíveis. Caso a dimensão do armário compatível com o quarto não seja suficiente, as prateleiras e nichos podem ser um bom aliado para armazenar caixas decoradas ou utensílios que possam ficar aparentes”,  explica.

Os móveis devem ser posicionadas em um layout que permita a circulação no quarto, principalmente entre as peças de maior utilização, como o berço e o trocador. É importante que seja estabelecida uma logística de utilização, para que mobiliários complementares não sejam posicionados em locais distantes ou possuam obstáculos entre eles.

“Lembre-se de que a rotina de cuidados com o bebê é repetitiva e, por isso, um pequeno desconforto pode se tornar bastante desagradável com o passar do tempo. Lembre-se, ainda, que será necessária a utilização de utensílios maiores como carrinhos de bebê, que exigem espaço de circulação”, alerta a arquiteta Vanessa.

Além disso, é essencial que o layout seja pensado de acordo com alguns fatores externos, como a ventilação e a insolação do local. O berço, por exemplo, não deve ser posicionado em locais com incidência de sol e vento, nem mesmo o trocador. Utilize esses espaços para os armários e prateleiras, guardando os locais mais arejados e confortáveis para as peças de permanência do bebê.

Assim como a decoração, o layout e o mobiliário do quarto também devem ser planejados considerando a utilização do espaço ao longo dos anos. As necessidades da criança vão se modificando com o passar do tempo, e o ambiente deve acompanhar essas mudanças. “Apostar em um mobiliário mais flexível, como berços que se transformam em camas, por exemplo, são uma boa medida para evitar que sejam necessárias grandes modificações no espaço ao longo dos anos.

Outra alternativa é a utilização de um trocador que possa ser utilizado apenas como uma cômoda ou uma bancada quando não for  mais necessário, ou um guarda-roupas que possa ser facilmente desmontado ou adaptado. O importante é garantir que o ambiente possa se transformar ao longo dos anos, evitando mobiliários fixos que sejam difíceis de adaptar a outros usos”, adverte Vanessa.

Por fim, os principais pontos que devem ser considerados ao planejar um ambiente para bebês e crianças são a saúde e a segurança dos mesmos, que devem ser refletidas em cada detalhe do espaço. As tomadas baixas devem ser protegidas com peças específicas ou tampadas pelo próprio mobiliário para evitar o contato da criança.

As quinas também devem ser evitadas, com a utilização de peças de borracha nos pontos onde elas existirem. “Até o posicionamento dos móveis deve ser pensado de forma segura, com cautela para que não sejam posicionados de forma que possam ser escalados pela criança, permitindo o acesso a janelas ou equipamentos inseguros.

Tudo aquilo que pode ou deve ser alcançado pela criança deve ser colocado ao seu alcançe para evitar irritação, mas aquilo que não deve ser alcançado deve ser posicionado em locais mais altos e seguros”, alerta Maria Fernanda. “Deve-se ter cuidado, ainda, com o excesso de utilização de brinquedos de pelúcia, tapetes, cortinas ou carpetes, que facilitam a proliferação de ácaros no ambiente.

Caso haja ar condicionado, o mesmo deve possuir a função Virus Doctor, que reduz a presença de vírus, bactérias e fungos no ar. Um purificador de ar também é recomendável, mas o mais importante é que o quarto possua uma boa ventilação e a incidência de luz natural”, conclui a arquiteta.