Múltiplas funções vem surgindo em determinados espaços e os quartos, por exemplo, deixaram de ser apenas dormitórios.

Quarto de estudo, escritório, academia, dormitório. Vários são os espaços que se integram em atuais projetos, tornando ambientes cada vez mais multifuncionais e completos. Exemplo disso são os quartos: locais de descanso, mas que também podem ser utilizados para trabalhar ou para lazer. Dessa forma, com um bom projeto, o ambiente mais intimista da casa pode se transformar em um local para atividades diversas.

Em auxílio ao projeto e à transformação do espaço, surge o uso e aproveitamento de mobiliários planejados, ou até mesmo, flexíveis. “Como costumo destacar, um ambiente não precisa necessariamente ter uma função única, ele deve permitir a criação de espaços multifuncionais que podem ser utilizados da melhor forma possível pelo usuário. O quarto é um desses ambientes, que deve acompanhar as necessidades e desejos de quem irá habitá-lo. Para projetá-lo como um ambiente de usos diversos, nos apropriamos do espaço como um todo, criando nichos para determinadas atividades e desenhando móveis bem planejados, essenciais para garantir o conforto e aconchego do espaço”, afirma a arquiteta Vanessa Spina. “Quem norteia nossas ações e projeto é o usuário, por isso é essencial conhecer suas necessidades e quais as atividades que lhe é de costume realizar em seu quarto. Há clientes que desejam praticar exercícios físicos no quarto, outros que desejam trabalhar ali mesmo, e inclusive outros que desejam ambas as atividades. Sendo assim, desenvolvemos um espaço que possibilite todas essas funções, sem perder o caráter intimista de um quarto dormitório”, completa.

O uso de mobiliário planejado garante a segregação de atividades em um mesmo espaço. Além disso, por ser desenvolvido para o ambiente em específico, esse tipo de mobília resulta em um melhor aproveitamento e otimização do espaço. O projetista terá maior flexibilidade de criação e conseguirá utilizar bem nichos, cantos e espaços residuais. O pequeno quarto poderá possuir áreas de descanso, estudo e estocagem de roupas e materiais graças a personalização dos móveis.

O quarto é, por vezes, um ambiente íntimo com dimensões menores que os ambientes sociais de uma residência. Por isso, um desafio ao projetá-lo é trazer para ele a sensação de amplitude desejada pelos moradores. Alguns recursos garantem que esse desafio seja superado, como o uso de peças multifuncionais (bicamas, cama com gavetas, entre outros) e o uso de cores claras e espelhos na decoração. “Além desses recursos apresentados, um elemento que deve ser visto como aliado, tanto na segregação das atividades de um quarto quanto na busca por uma sensação de amplitude, é o projeto luminotécnico” destaca a arquiteta. “A iluminação proporciona sensações diversas ao usuário, por isso, seu planejamento é essencial. Uma iluminação mais homogênea e quente traz uma sensação de aconchego ao espaço, ideal para área de descanso. Já uma iluminação mais focada e fria traz mais atenção e foco ao usuário, ideal para ambientes de estudo e trabalho. Dessa forma, essa dualidade de sensações geradas é presenciada em um quarto projetado tanto para descanso quanto para trabalho. Por isso, o planejamento da iluminação é tão importante, ele garante que as sensações proporcionadas aconteçam nos locais corretos, de acordo com o mobiliário desenhado e planejado”, pondera a arquiteta.

O desenho de um mobiliário planejado pode incluir, por vezes, o projeto de um quarto em níveis. Isso significada que alguns móveis “saem” do piso e se sobrepõem. É um opção de projeto para quartos com área mais reduzida, onde se deseja trazer funções diversas e também onde se faz necessário abrigar mais de um usuário. “O cuidado ao se projetar em níveis deve ser preciso, evitando sobrepeso entre os móveis, acidentes ou desgaste nas peças”, alerta.

Para quartos com área ainda mais reduzida, isto é, com dimensões que abriguem pouco mais que uma cama, o artifício ao desenvolver o projeto é se aliar aos móveis flexíveis. “No Brasil, ainda há certa resistência em aceitar o uso de móveis flexíveis, pois temos uma oferta de área muito grande. Dessa forma, a preferência mais comum dos usuários é optar por móveis fixos. No entanto, nas grandes metrópoles de todo o mundo e inclusive do Brasil, o alto valor imobiliário nos grandes centros vem fazendo com que as pessoas habitem espaços cada vez mais reduzidos, favorecendo a demanda por mobiliário flexíveis”, comenta a arquiteta Vanessa.

“Com o presença desses mobiliários flexíveis cada vez mais clara no mercado, com diversos modelos, cores e formatos, é possível desenvolver variados projetos de quarto e indicar ao cliente que a flexibilização pode ser interessante e inclusive, a melhor opção para seu espaço”, finaliza a arquiteta.